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É pedalando à beira-rio que Setúbal se tornará mais sustentável

21/06/2019

Setúbal, 18/06/2019 - Mobi Summit Portugal "Automotive Sessions" em Setúbal. ( Filipa Bernardo/ Global Imagens )

Se planear é, acima de tudo, definir metas e calendários, então Setúbal já tem os seus objetivos traçados no Plano de Mobilidade Sustentável e Transportes. Reduzir em 11% o uso do automóvel, aumentar em 10% as viagens nos transportes públicos, expandir as ciclovias até 100 quilómetros ou acabar com as longas filas de trânsito é a fasquia que a câmara municipal quer atingir nos próximos dez anos.

E como é que isso se faz? Não é preciso reinventar a roda, basta apostar em áreas estratégicas para mais gente viajar de autocarro e de comboio. Melhorar a rede de transportes, ligando não só as freguesias da cidade, mas também os concelhos vizinhos, é o ponto de partida. Mas porque não ir mais longe e pôr também alguns milhares de sadinos a pedalar ou até a percorrer uns quilómetros a pé para ir trabalhar, estudar, almoçar a casa ou passear pelos parques da cidade? “Setúbal já tem uma grande tradição de ciclistas de fim de semana, o objetivo agora é que usem também a bicicleta no resto da semana”, conta Manuel Pisco Lopes, vice-presidente da Câmara Municipal de Setúbal.

Conquistar espaço para os peões e ciclistas com ruas pedonais no centro da cidade e, em especial, na zona ribeirinha, mas também alargar a rede de ciclovias de 14 km atuais para os 100 km previstos são algumas das respostas da autarquia. O caminho já começou a ser feito com a instalação de parques para bicicletas numa dúzia de locais da cidade, como a Praça do Bocage, a Avenida Luísa Todi ou Mercado do Livramento. O que agora se espera é que esta rede cresça com as sugestões que os próprios residentes enviam por e-mail à autarquia.

Num futuro, não muito longe, a câmara espera que boa parte das deslocações casa-trabalho seja feita de bicicleta. Tão ou mais importante é que as crianças façam o mesmo para frequentar as aulas. Quase 27% dos alunos entre os 10 e os 14 anos vão com os pais de carro para a escola, segundo os dados incluídos no plano de mobilidade. “Dificilmente se consegue atrair os mais novos para transportes mais leves se eles só viajam de automóvel”, avisa Manuel Pisco Lopes, ressalvando que o sucesso desta medida só se atingirá com programas de sensibilização e o envolvimento de pais, filhos e escolas.
Promover o uso da bicicleta pode ser um trunfo para reduzir a pegada de carbono, mas será preciso ter também consciência de que os carros não vão desaparecer. Ordenar o estacionamento à superfície é, por isso, uma peça-chave para melhorar a mobilidade: “Reorganizar o estacionamento de curta e longa duração na área central da cidade é igualmente uma das prioridades.”
Lançar concursos internacionais para três parques de estacionamento subterrâneos até ao final do próximo ano é o plano que se segue. E seis milhões de euros é o que se estima investir para arrumar cerca de mil automóveis próximo do hospital de Setúbal e nas pontas oriental e ocidental da Av.Luísa Todi.

O Interface da Praça do Brasil surge também como obra estruturante no novo modelo de mobilidade. O objetivo é deslocar o terminal rodoviário da Avenida 5 de Outubro para próximo da estação ferroviária. Os trabalhos, que se preveem estarem concluídos em 2021, implicam um investimento de 4,5 milhões não só para colocar no mesmo espaço autocarros e comboios, mas também para construir um parque para 117 carros, áreas de apoio e bilheteiras.

O trajeto rumo a uma cidade sustentável tem várias etapas que se vão ajustando à medida que as obras avançam, diz o vice-presidente da autarquia: “Só assim é possível responder às necessidades que vão surgindo pelo caminho.” Há prazos que podem derrapar ou objetivos que podem tornar-se “mais realistas”, mas também “boas surpresas” que podem vir a acelerar as metas inicialmente estabelecidas.

É o caso do efeito do recém-chegado passe Navegante à Área Metropolitana de Lisboa, que, com um custo de 40 euros, já fez subir em 20% as deslocações de comboio da Fertagus entre Setúbal e Lisboa. É cedo para tirar conclusões concretas, diz Pisco Lopes, mas o certo é que há novas metas projetadas para a próxima década: “Se em 2017 prevíamos um aumento em 7% do uso de transportes coletivos, agora a perspetiva é que atinjam os 10%.”

E há ainda grandes expectativas quando forem introduzidos os novos passes para as famílias neste verão. Pais e filhos poderem viajar por qualquer ponto do município por 60 euros ou por qualquer concelho da área metropolitana por 80 euros provocará grandes efeitos nas deslocações dentro e fora das cidades: “As pessoas aderem aos transportes públicos se eles forem baratos, práticos e confortáveis”, conclui o autarca, prevendo que, em breve, haverá sadinos a visitar o Mosteiro do Jerónimos, em Lisboa, o Convento de Mafra ou o Palácio de Sintra. E, já agora, o mesmo no sentido contrário, com alfacinhas, sintrenses ou oeirenses a chegarem a Setúbal para comer choco frito com vista para o Sado ou passear no Parque da Arrábida.

Katia Catulo

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