Menor subida do biodiesel sem segredos

Notícias (geral)
12-03-2026

A Prio é uma das produtoras de biocombustível em Portugal que garante não ter segredos na receita. Quem produz ecodiesel conseguiu praticar preços mais reduzidos, desde o início da guerra no médio oriente, por ser uma matéria prima que não depende de extração, nem refinação do que brota dos poços de petróleo, mas sim, dos residuos alimentares das populações e cada vez mais, tem vindo a ser um produto incorporado na mistura final vendida ao consumidor.

 

A escalada de preços de gasolina e gasóleo desde o início da guerra no Médio Oriente, colocou à vista a diferença entre o custo de produto 100% oriundo de biocabornetos, com o custo da mistura com biocombustível.

Quando questionado pela diferença do preço por litro, Luís Nunes, responsável pela Prio Supply, até ironiza:”Não temos nenhum segredo, nem nenhuma bola de cristal, em especial. O que acontece é que no EcoDiesel, como tem 15% de biodiesel, os preços não subiram. O biodiesel não depende em nada, nem das matérias-primas, nem da produção de combustíveis penalizados pelo conflito do Médio Oriente, inclusive, nós até temos produção própria, a partir da nossa fabrica de Aveiro, e no caso do gasóleo, a subida é menor, quando incorpora 15% deste produto, daí o mercado ter subido, mais ou menos, na ordem dos 20 e 21 cêntimos e o EcoDiesel subiu apenas 14 cêntimos.

A realidade atual ainda não permite descida de preços, uma vez que a mistura final para venda ao consumidor, ainda possui  85% de combustível fóssil e os 15% de ecodiesel servem apenas de almofada a uma subida maior.

Para este responsável, é possível fazer 100% de biodiesel e o chamado B100 até já aumentou a procura por parte de viaturas pesadas de mercadorias, ou embarcações de carga, uma vez que a maioria dos veículos ligeiros não está preparada para o usar.

“A verdade é que entre 7% e 20% é compatível com a esmagadora maioria dos veículos. Acima dos 30%, nem todos, mas é possível perceber quais são os veículos abrangidos por estas percentagens , pois normalmente essa informação está na ficha da viatura e apenas os carros mais antigos não são compatíveis. Por exemplo, as marcas francesas, são todas compatíveis até 30%. Já as marcas alemães nem tanto. Já para frotas profissionais de camiõespsados, o B100,  é uma solução que, com a diferenciação de preço provocada pelo conflito do médio oriente, que tem vindo a recolher cada vez mais  interesse, mas também está a subir o interesse, a nível marítimo, pois é um sector com metas de descarbonização que levam à crescente procura por este produto, que permite ter um compromisso entre a sustentabilidade e minimização de custos decorrentes de perdas económicas, provocadas pelos impactos dos conflitos bélicos nos preços energéticos.

 

Para produzir este biodiesel, a PRIO tem vindo a aumentar a recolha de residuos no país e já tem mais de 1.000 pontos de recolha de norte a sul, mas Portugal representa apenas entre 20 a 30% da recolha, mais de 50% é importação de “matéria-prima” de países europeus, como Espanha, Alemanha, ou França.

 

Atualmente já não recorre apenas a óleos alimentares usados, mas também a margarinas, ou outro tipo de resíduos urbanos, que façam parte de todo o processo produtivo e que não possam ter uso na alimentação humana ou animal.

 

“Portugal é um país pequeno, de 10 milhões de habitantes e daí a quota de mercado rondar 20% apesar de termos vindo a crescer. Temos que perceber também economias de escala, dai o recurso a paises vizinhos europeus como Espanha, ou França,  de onde importamos mais de 50%, claramente.

 

Este é um sector em crescimento, de acordo com este produtor,  porque a tecnologia tem evoluído e a própria procura da bioenergia tem evoluído, havendo outras soluções que estão a aparecer e que economicamente não eram viáveis há cinco anos. O exemplo, os farelos das culturas de pousio, que são aproveitados agora, quando há mais de 20 anos, o biodiesel começou por usar apenas óleos virgens.

“Essas culturas são sementes que podem ser esmagadas e gerar também o farelo, ou seja, farelo para alimentação animal, e o óleo para produção de bioenergia. E isto está a crescer muito, porque há uma série de empresas que produzem sementes, nomeadamente nos Estados Unidos, estão a apostar forte e com o desenvolvimento tecnológico são sementes que permitem ter rentabilidades mais, produtividades mais altas e gerar este óleo”, explica Luis Nunes.

Adianta ainda que, outro exemplo, com um grande potencial, são as algas. Faz crer que “só não se avança mais, porque ainda há desafios tecnológicos para a sua recolha e tratamento”. Mas acredita que o processo de desenvolvimento tecnológico, trará mais novidades, neste domínio, em breve.

Ao nível da investigação e desenvolvimento a empresa está ainda a desenvolver projetos na área das matérias-primas com parceiros de Africa à América Latina, em países como, Angola e o Uruguai.

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