
Barreiro, Vila Franca e Oeiras no topo da mobilidade na região metropolitana de Lisboa

De acordo com o ultimo estudo do Observatório do ACP, os três municípios reunem as melhores avaliações técnicas de politicas locais, apesar do automóvel ser a opção para 59% dos residentes que reclamam a necessidade de maior frequência nos transportes públicos, para alterar hábitos.
Barreiro, Vila Franca de Xira e Oeiras são os concelhos com melhor avaliação por parte dos residentes em matéria de mobilidade e transportes, enquanto Setúbal surge como o único concelho com saldo negativo na avaliação global do estudo "Tendências Urbanas 2026 – Área Metropolitana de Lisboa", divulgado pelo Automóvel Club de Portugal.
Na análise, o ACP identifica ainda o excesso de trânsito, estacionamento e melhoria dos transportes públicos como os principais desafios dos 9 municípios a norte e outros 9 a sul do Tejo, que perfazem o total de 18 autarquias que compõem a Área Metropolitana de Lisboa.
Esta radiografia à mobilidade na região, teve por base um inquérito realizado a 1.850 residentes com 18 ou mais anos e procurou fazer um retrato detalhado dos hábitos de deslocação dos cidadãos, dos meios de transporte que utilizam, da sua perceção sobre a qualidade das infraestruturas e dos transportes públicos, da avaliação das políticas municipais de mobilidade e das expetativas relativamente ao futuro da mobilidade.
59% dos inquiridos ainda utilizam o automóvel como principal meio de transporte. 67% consideram-no o seu modo de deslocação preferido, sobretudo pela rapidez, praticidade e flexibilidade, mas quase metade revelam disponibilidade para recorrer mais aos transportes públicos.
48% afirma mesmo que, utilizaria mais transporte público, se existisse mais frequência e melhores horários, enquanto 31% aponta a necessidade de ligações mais diretas e com menos transbordos e apenas 17% consideram a redução do preço como o principal incentivo, evidenciando que a qualidade da oferta continua a ser mais determinante do que o custo.
Quer o trânsito, quer o estacionamento e a fiscalização estão entre as maiores preocupações das pessoas. 46% aponta excesso de tráfego, 42% falta de lugares para estacionar e 33% denuncia insuficiente fiscalização ou presença policial, como os maiores problemas sentidos pelos residentes.
34% não vão mudar a forma habitual de deslocação por falta de alternativas convenientes, enquanto 22% refere a necessidade de flexibilidade horária e a falta de tempo. Apenas um quarto dos inquiridos considera estar plenamente satisfeito com o modo como atualmente se desloca.
Na avaliação das políticas municipais de mobilidade, Oeiras, Barreiro e Cascais surgem como os concelhos melhor classificados pelos residentes, enquanto Setúbal é o único município a apresentar um saldo negativo na avaliação global.
De forma transversal, os cidadãos consideram que a principal prioridade das autarquias deve ser o aumento da frequência e da fiabilidade dos transportes públicos, seguindo-se a criação de ligações mais diretas e rápidas e a redução do congestionamento automóvel, al´m de que a segurança rodoviária continua a preocupar habitantes.
48% dos residentes identifica a condução distraída e 46% o excesso de velocidade, como, os comportamentos mais perigosos nas estradas.
A maioria considera igualmente insuficiente a presença das autoridades de fiscalização, sendo que 30% deseja o reforço da presença policial, como a medida necessária para melhorar a segurança rodoviária.
Os resultados revelam também uma crescente preocupação com a sustentabilidade, reconhecendo que já existe interesse em soluções de mobilidade mais limpas, nomeadamente no reforço dos transportes públicos elétricos, embora bicicletas e trotinetes continuem a surgir entre os modos de transporte menos preferidos para utilização diária.
Cerca de 29% dos inquiridos já possuem ou ponderam adquirir um veículo elétrico, enquanto o teletrabalho surge como uma das medidas mais valorizadas para reduzir a necessidade de deslocações.
Numa primeira reação aos dados do estudo, o município de Oeiras realça o desempenho positivo na ordem dos 52% na área da mobilidade e transportes, que significa que é praticamente o dobro da média da área metropolitana que ronda 25%.
39% dos residentes no concelho de Oeiras reconhecem melhorias nas condições de mobilidade registadas nos últimos dois anos e sublinha que o saldo positivo significa o melhor resultado entre todos os municípios analisados.
O inquérito avaliou dezenas de indicadores relacionados com infraestruturas, transportes públicos, espaço público, circulação, segurança, intermodalidade e políticas municipais de mobilidade.
Os residentes atribuíram classificações particularmente elevadas à facilidade de acesso pedonal às paragens e estações de transporte público. Também à segurança nas passadeiras e cruzamentos. Valorizaram ainda a qualidade da sinalização rodoviária e da iluminação pública, qualidade dos passeios e zonas pedonais. Também levaram em conta a existência e manutenção de abrigos e paragens, o estado de conservação das estradas e a acessibilidade para pessoas com mobilidade reduzida, além das condições das ciclovias.
Numa primeira reação ao estudo, em comunicado, a Presidente do Conselho de Administração da Parques Tejo afirma que os resultados deste estudo demonstram que “as políticas de mobilidade implementadas em Oeiras estão a produzir efeitos concretos na qualidade de vida das pessoas.”
Mara Duarte considera que ser o município onde os residentes mais reconhecem uma melhoria das condições de mobilidade nos últimos dois anos significa que o investimento na requalificação do espaço público, na gestão inteligente da mobilidade e na criação de alternativas ao automóvel está a ser sentido pelos munícipes.
“É esse reconhecimento que nos motiva a continuar a desenvolver soluções cada vez mais sustentáveis, integradas e centradas nas pessoas,” sublinha.
Para esta responsável pela empresa municipal responsável pelo estacionamento regulado e soluções de mobilidade em Oeiras, o estudo indica também oportunidades de melhoria para o futuro.
“Estamos a trabalhar para a diminuição do trânsito e para o aumento dos lugares de estacionamento regulado, questões que este estudo aponta como necessidades dos nossos munícipes, já detetadas por nós e com trabalhos em curso” remata.






