
Mobi.E quer ajudar a interoperabilidade do transporte público em Portugal

Um desejo manifestado por António Veiga Ferrão, recém chegado à presidência da empresa, António Veiga Ferrão, num momento de transformação regulatória, marcado pela entrada em vigor do Novo Regime Jurídico da Mobilidade Elétrica, de trabalho em soluções para operadores e de preparação interna para operar no mercado liberalizado.
O novo ciclo estratégico da Mobi.E iniciado com a entrada em funções do novo Conselho de Administração, liderado por António Veiga Ferrão, acompanhado por Sílvia Amaral como vogal e Alexandra Toscano, como responsável pela área financeira, já tinha sido anunciado em comunicado da empresa, mas naquela que foi a sua primeira aparição publica, nas Jornadas Navegante a 1 de abril, o novo lider manifestou a intenção de colocar o conhecimento e o trabalho já desenvolvido na rede de carregamento de veículos elétricos, ao serviço dos parceiros que operam as redes de transportes públicos, num momento em que estão em processo de integração de sistemas de dados em plataformas tecnológicas.
António Veiga Ferrão achou graça ter sido convidado a falar num dos painéis, precisamente no Museu da Carris, frente a um veiculo puxado por cavalos. “É engraçado estarmos a falar de dados e de integração tecnológica, de futuro e de mobilidade elétrica, frente a um ´elétrico´ puxado por cavalos, revela como é importante reconhecer o caminho longo que fizemos até aqui”, assim começou a sua intervenção.
O novo presidente da Mobi.E pretende que o caminho feito pela empresa na interoperabilidade da mobilidade elétrica possa ser transposto para o transporte público e prometeu trabalhar com operadores de transporte público para ajudar nesse processo de integração de dados, de forma a levar essa interoperabilidade para uma escala nacional.
“Temos um desafio grande pela frente que assenta claramente na nossa capacidade de gerir dados e de gerir a confiança que esses dados dão aos operadores que se relacionam connosco“, adiantou.
Nos desafios apresentados, nomeadamente na distribuição e disponibilidade de infraestruturas, recordou que a Mobi.E detem um parque com cerca de 700 postos, mas o seu papel principal é gerir a interoperabilidade dos 14 mil pontos de carregamento de vários operadores.
Na questão da utilização de dados para que os municípios possam tomar boas decisões, vê muito espaço para trabalhar nessa área” e assegurou que no domínio da mobilidade elétrica, a empresa está a tentar montar uma oferta que ajude o território a decidir onde é que tem de expandir essa rede.
“ Se pensarmos na cobertura de toda a zona de transporte público e na abertura que deve dar a todos os utilizadores, nós queremos dar informação, porque já a temos. É um trabalho de articulação entre as redes”, acrescentou.
Sobre a integração de dados nos respetivos sistemas, apesar da ansiedade que a Inteligência Artificial e os modelos preditivos podem provocar, quando colocados em cima da mesa, acredita que a IA e a predição, no espaço da mobilidade, poderão ajudar a que o transporte público não fique para trás, embora considere que é preciso combater a disparidade de recursos tecnológicos que existem ao longo das operações e ao longo do território.
“ É importante garantir que grande parte da viabilidade financeira dos sistemas de transportes, provém de fontes de receita que são do Estado, daí a importância de reportar bem, de continuar a alimentar bem o sistema e com equilíbrio. Quer dizer que, importa essa ansiedade pelos dados, mas importa começar no início e não deixar descurar isto, porque gerará grandes desequilíbrios territorialmente depois e mesmo dentro das operações”, esclareceu.
Sobre a gestão de dados da Mobi.E assumiu que não estava na empresa, quando a mobilidade elétrica chegou a Portugal e entrou em contexto de mercado, mas foi acompanhando desde o início essa tendência dos standards, considerando ter sido fundamental agora, que inicia funções.
“O novo Conselho de Administração sabe que nesta lógica de transição para um novo regime, tem que se reger a 100% por standards de mercado, o mais interoperáveis possíveis, porque são reconhecidos, geram menos discussões, menor adaptação, porque até aqui, cada um diz que a sua operação na verdade, era muito específica e não havia mais nenhuma operação igual e o standard permite fazer uma coisa mais customizada, uma vez que a Mobi.E gere dados de mais de 150 entidades, mais de 8 milhões de carregamentos por ano e um modelo standard é fundamental para que a informação e os dados todos que nós acedemos sejam reconhecidos e que haja uma taxonomia compreensível”, assegurou.
É nesse sentido, que a Mobi.E quer ser um exemplo para outros meios de mobilidade. O novo presidente da empresa considera que essa interoperabilidade pode servir também, o transporte público, a nível nacional.
Já na mensagem enviada às redações, a nova administração da empresa garantiu que traz uma visão ambiciosa para o futuro da mobilidade elétrica em Portugal, posicionando a MOBI.E como hub de interoperabilidade, no novo contexto regulatório, reforçando o seu papel como pilar da mobilidade sustentável em Portugal.
“Hoje a MOBI.E tem conectados à sua plataforma mais de 14 000 pontos de carregamento para veículos elétricos em todo país. Queremos levar este conhecimento acumulado na interoperabilidade da mobilidade elétrica, e aplicá-lo a outros setores estratégicos da mobilidade, como o do transporte público, sempre com foco na melhoria da experiência do utilizador”, adiantava António Veiga Ferrão.
Num momento de transformação regulatória, marcado pela entrada em vigor do Novo Regime Jurídico da Mobilidade Elétrica, é preciso preparação interna para operar no mercado liberalizado.
A Mobi.E garante estar a trabalhar em soluções que permitam aos operadores de pontos de carregamento continuar a oferecer a interoperabilidade para lá do período de transição.
“Essa aposta tecnológica vai permitir uma transição completa para o novo modelo de mercado sem disrupção, garantindo que nenhum operador ou utilizador de veículo elétrico é afetado e que a mobilidade elétrica continua a crescer de forma sólida em Portugal” adianta.
Em paralelo, a empresa prepara-se para assumir as funções de Entidade Agregadora de Dados da Mobilidade Elétrica, permitindo a sua agregação junto do PAN - Ponto de Acesso Nacional, gerido pelo IMT e entre objetivos a alcançar, aponta a disponibilização de soluções tecnológicas de interoperabilidade (hub de roaming) e disponibilização de sistemas gestão de postos de carregamento, tanto em redes de acesso público como privado.
“Estes novos serviços permitirão o crescimento do ecossistema da mobilidade elétrica de uma forma integrada e simples para os utilizadores e de uma forma agregada e vantajosa para os stakeholders do mercado, nomeadamente os Operadores de Pontos de Carregamento”, também esclarece.
“aproximar a MOBI.E do setor - operadores, plataformas, fabricantes e utilizadores - e contribuir para um sistema mais integrado e digital. Acreditamos que estas alterações legislativas trazem consigo novas oportunidades para desenvolver esta área em que a MOBI.E já tem provas dadas”, refere Sílvia Amaral, uma das novas administradora.
No comunicado de apresentação, a nova direção escreve ainda que, durante o período transitório previsto no novo Regulamento Jurídico da Mobilidade Elétrica, a MOBI.E mantém o compromisso de facilitador da transição para a mobilidade elétrica em Portugal, mantendo o seu apoio aos stakeholders do mercado.









