
Nova geração Nissan LEAF - O pioneiro está de regresso

Quinze anos depois de ter sido um dos primeiros eléctricos dirigidos ao mercado global, o LEAF regressa em terceira geração para disputar um segmento hoje dominado por marcas chinesas e por uma Tesla que, em 2010, ainda não existia enquanto fabricante generalista. A resposta da Nissan passa por mais autonomia, mais tecnologia e um preço de entrada abaixo dos 30 mil euros.
Quando o Nissan LEAF chegou ao mercado, em 2010, o carro eléctrico era ainda uma curiosidade de nicho. O modelo japonês ajudou a provar que a tecnologia estava já madura e que podia sair dos protótipos para chegar às garagens das famílias. Uma década e meia depois, o cenário é irreconhecível: o segmento está mais competitivo do que nunca, com marcas chinesas a pressionar os preços e a Tesla a dominar boa parte da conversa pública sobre mobilidade eléctrica. É neste contexto que a Nissan apresenta a terceira geração do modelo que abriu o caminho.
A resposta da marca japonesa assenta em três eixos: autonomia, tecnologia e preço. Com duas opções de bateria - 52 kWh e 75 kWh -, o novo LEAF promete até 622 quilómetros de autonomia e carregamento rápido capaz de recuperar 417 quilómetros em meia hora, segundo dados da Nissan. O motor da versão de maior capacidade entrega 160 kW (218 cv) e permite uma aceleração dos 0 aos 100 km/h em 7,8 segundos, números que colocam o modelo a par de boa parte da concorrência mais recente, sem abdicar de um preço de entrada de 29.990 euros (mais IVA), com três anos de manutenção incluídos.
O outro eixo é a conectividade. Ao integrar o NissanConnect com Google, que traz para o painel de bordo o Google Maps, o Google Assistant e a Play Store, a Nissan segue uma tendência já visível noutros fabricantes: tornar o software do carro tão relevante na decisão de compra como a autonomia ou o preço. A isto junta-se a tecnologia Vehicle-to-Load, que transforma a bateria do carro numa fonte de energia portátil para equipamentos externos, e um conjunto de sistemas de assistência à condução que aproximam o LEAF dos padrões actuais do segmento.
Produzido na fábrica britânica de Sunderland e desenhado no Japão, o novo LEAF chega a Portugal em três versões (Engage, Advance e Evolve) e com reserva feita inteiramente online. As primeiras entregas a clientes portugueses estão previstas para este verão, num momento em que o modelo já soma reconhecimento internacional: venceu a categoria de Melhor Compacto do Mundo nos Women's Worldwide Car of the Year, foi finalista do World Car of the Year e recebeu o título de Carro do Ano do jornal britânico The Sun nos The Motor Awards 2026.
Resta saber se a estratégia da Nissan é suficiente para devolver ao LEAF a relevância que teve há quinze anos. O mercado que ele ajudou a criar já não se disputa apenas com pioneirismo; o jogo faz-se agora muito à roda do preço, das interfaces de utilizador (software) e da velocidade de carregamento, terreno onde a concorrência chinesa tem sido particularmente agressiva.
Paulo Tavares






