Pronto para competir Cristal 1º barco autónomo criado por alunos do Porto

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07-07-2026

Cumpriram a promessa. Os 50 alunos da Academica Solar do Porto, que há um ano apresentaram o Atlantic, barco 100% elétrico, acabam de lançar o Cristal, o seu primeiro barco autónomo.

 

Designada de FAST, a equipa de 50 alunos do Teaam Star Academy da FEUP desta vez subiu o rio Douro e inspirou-se no Palácio de Cristal, para baptizar o protótipo autónomo que desenvolveu ao longo do ano e já apresentou numa cerimónia realizada no auditório da faculdade de engenharia da Universidade do Porto.

O Cristal é u catamarã com 1,8 metros de comprimento e 1,12 de largura, revestido a linho e equipado de um sistema de comando autónomo, além de painéis solares fotovoltaicos.

Gonçalo Mendes, estudante lider da equipa, adianta que “a inspiração do Cristal vem daquilo que também é a história da equipa que há um ano se inspirou no oceano para criar o Atlantic e desta vez, subiu o rio Douro para designar este barco autónomo, que tem uma cúpula revestida por painéis solares feitos in-house, por nós. Essa cúpula é naturalmente inspirada na cúpula do Palácio de Cristal, e daí foi feita em homenagem à cidade, porque esse é um  símbolo icónico do Porto”.

Por enquanto é um protótipo de catamarã não tripulado, totalmente autónomo e movido a energia elétrica, com pouco mais de uma hora de autonomia, mas adaptável a qualquer bateria e desenvolvido para mostrar à industria que o setor naval pode ser  sustentável.

Gonçalo Mendes, lider da equipa explica que foi desenhado e produzido com um tecido de “camisa”, o linho, para provar que é possível recorrer a este tipo de fibras, como alternativa aos compósitos tradicionais usados para fazer o casco reduzindo as emissões de carbono.

O barco está pronto a entrar em competições académicas com uma espécie de olhos colocados no topo por cima do convés, que não é mais do que a câmara de alta resolução e o sistema LiDAR (Light Detection and Ranging) que utiliza laser para medir distâncias e detetar objetos. como boias e outras embarcações, criando mapas tridimensionais de alta precisão.

“Esta é uma embarcação não tripulada, com cerca de 1,80m de comprimento por 1,1m de boca, em jeito de catamarã, de forma a termos mais estabilidade, que é uma configuração bastante utilizada em barcos deste tipo, ou seja, autónomos e o nosso objetivo com esta embarcação é competir. Existem várias competições, pela Europa e pelo mundo, onde participam tantos grupos estudantis como até empresas, e o objetivo é estar lá e divulgarmos as diferentes tecnologias que desenvolvemos ao longo do projeto”, adianta.

 

No Cristal, o leme tradicional foi substituído por um sistema de quatro propulsores, posicionados de forma equidistante, que permitem fazer manobras como a rotação sobre o próprio eixo, garantindo agilidade e margem para acelerações ou manobras evasivas.

“ Foi feito a pensar nas competições e essas têm vários tipos de prova, desde a componente em água, à componente tecnológica e de engenharia. Em termos de provas em água, somos avaliados em docking, ou seja, a tracagem automática. Temos também o percurso onde nos temos de desviar de obstáculos, sendo estes dinâmicos ou não. Por exemplo, se tivermos uma embarcação a aproximar-se de nós, temos de nos desviar dela, de acordo com aquilo que é determinado pelas diferentes regras. Depois, temos os diferentes percursos, também de forma a testar a agilidade da própria embarcação” esclarece.

Por enquanto, este barco está dotado de uma bateria que permite autonomia até uma hora e um limite de velocidade de 3 nós náuticos, ou 5,556 km/hora.

“ Estamos sempre limitados por aquilo que é a capacidade da bateria que a competição permite, ou seja, o Cristal é capaz de albergar uma bateria com maior capacidade e portanto, ter uma maior autonomia, mas estamos sempre limitados por aquilo que a competição permite, este caso até uma hora.

O objetivo deste protótipo não é chegar a grandes velocidades e temos um limite de velocidade de 3 nós, porque não é algo valorizado nestas provas. O que se pretende é ter um teste em pequena escala daquilo que pode ser o uso de inteligência artificial para a condução autónoma de embarcações” explica.

 

O objetivo é cativar outros estudantes de engenharias para este tipo de projetos, após a concretização com sucesso desta prova de conceito.

 

“Desde a fundação da equipa, que o plano tem sido, trazer a engenharia naval para a FEUP e agora até estender um bocadinho mais, com os diferentes progressos que temos tido, para os estudantes da Academia do Porto e dar-lhes apoio, o mais abrangente possível para desenvolverem novas tecnologias nesta área e de cultivar esta sua paixão. 

 

Fundada em novembro de 2023, por nove estudantes de Engenharia Mecânica, a FAST conta atualmente com cerca de 50 membros de várias tipologias de engenharias e Gonçalo Marques sublinha que “ se um grupo de estudantes consegue fazer um barco autónomo, a industria também consegue e este projeto pretende motivar e demonstrar que a mudança do setor do transporte marítimo para soluções mais sustentáveis é viável".

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